Quem é você?
“Conhecer os outros é inteligência. Conhecer a si mesmo é verdadeira sabedoria.”
Lao-Tsé
Nós vivemos em ambientes, sejam eles a casa, a escola, rua, uma loja, praça, o trabalho, transporte, um local público, um restaurante e assim por diante. Transitamos por todos esses lugares e, em cada um deles, nós temos um comportamento diferente.
Tem lugares em que você fica calado e só presta atenção; outros onde conversa mais. Tem lugares em que você se move bastante, enquanto em outros fica mais parado.
Os comportamentos não variam só de um lugar para outro, mas também de pessoa para pessoa. O mesmo acontece com as capacidades.
Algumas pessoas são mais extrovertidas, falam mais, já outras são mais observadoras. Algumas pessoas tomam a frente, tem mais liderança. Algumas pessoas preferem estar mais em grupo enquanto outras sozinhas.
As capacidades precisam existir para que uma pessoa manifeste um comportamento
Alguém que não aprendeu não consegue nadar ou tocar piano.
Existem pessoas com uma excelente capacidade para ensinar. E existem aquelas que conseguem criar desentendimentos, sem prestar atenção ao que as outras têm a dizer, falando por cima e trazendo exemplos dramáticos fora de contexto. Assim, as capacidades podem ser boas ou ruins, dependendo da situação.
A partir da nossa “maneira de pensar”, que reflete nossos valores e crenças, manifestamos nossas capacidades e comportamentos em diversos ambientes.
Imaginem um professor: ele tem como valor a educação e o aprendizado. Ele tem a crença de que deve ensinar bem, por exemplo, matemática para seus alunos. Então, a partir dessa base de pensamento, ele manifesta a capacidade de ensinar no ambiente da sala de aula, explicando verbalmente um conceito, escrevendo no quadro, fazendo perguntas, dando respostas de maneiras diferentes para que cada aluno consiga entender. Ele observa quem está atento, aprendendo, e quem está distraído; tem a capacidade de elaborar uma prova, corrigir e outras características.
Eu dei o exemplo da identidade de professor, mas há muitas.
- Identidades familiares: pai, mãe, filho, neto, tio, primo…
- Identidades sociais: paulista, brasileiro, cidadão, etc.
- Identidades relacionadas aos estudos, à profissão, religião, ao time de futebol, grupo de afinidades, etc.
Sempre que se pergunta sobre o assunto, a pessoa responde: – Eu sou…
Cada identidade tem um conjunto de crenças e valores que vai determinar como a pessoa se comporta nos lugares.
Além disso tudo, temos uma parcela de nossa identidade que é essencial, que não depende de algum contexto para ser como é. Pode ser uma característica pessoal: inteligente, baixo, bem humorado, agitado, ansioso, detalhista, por exemplo. Onde quer que a pessoa esteja, ela se manifesta dessa forma.
E além da identidade, temos o que?
Em PNL, temos aquilo que chamamos de nível espiritual. Trata-se de quem mais faz parte dessa identidade, o conjunto de coisas que dão lugar para um “ser”.
Por exemplo, para uma pessoa ser professor, é necessário que existam alunos, a escola, os colegas professores, coordenadores, a secretaria de ensino, as diretrizes educacionais, os pais dos alunos e todo o necessário para a escola funcionar.
A identidade do professor não tem como se manifestar se ele ficar sozinho, fechado em uma caverna.
Então, esse texto é um convite para que você faça um levantamento de algumas das suas identidades e perceba “quem mais” faz parte dessa identidade.
Quais são as conexões espirituais que conversam com essa identidade.
Eu sou um ser humano nessa galáxia, então, o planeta, a natureza, terra, água, mar, céu, sol, plantas, animais e outras pessoas fazem parte de quem eu sou.
Se a pessoa for religiosa, então a congregação, a comunidade, os líderes religiosos, o Deus, a Deusa ou Deuses e os ensinamentos escritos e falados fazem parte do “quem mais” dessa pessoa. Se é uma pessoa espiritualista, talvez ela se identifique não só com o planeta, mas também com os astros e todo o cosmos. Se é cientista, então toda a comunidade científica faz parte do “quem mais” ao qual ela pertence.
Quem quer que você seja ou se auto denomine, sempre fará parte de algo maior do que você mesmo, que está além de si, e que constitui o nível chamado “espiritual” na PNL sistêmica.
É muito importante você se conectar a esses níveis espirituais que estão além de você e que dão sentido e significado às suas identidades muitas vezes. Uma pessoa que tem fortemente presente a sensação de pertencimento entende muito mais sobre si mesma, a missão e o papel que desempenha.
Relato de um caso
Certa vez, atendi uma mulher de 60 e poucos anos que estava com uma grande crise de identidade. Ela tinha se aposentado, portanto, deixou de ser profissional e passou a ser aposentado. Os pais dela tinham falecido e o filho que casou foi morar na Austrália.
Ela perdeu muito do papel de filha e de mãe que desempenhava. Como ficaram só ela e o marido em casa, já não se entendiam. Então, resolveram finalmente se separar e ela deixou de ser esposa também. A partir desse ponto, passou a viver para os outros, não sabia mais do que realmente gostava ou o que queria para si.
Na medida que o espiritual, “quem mais faz parte da sua vida”, mudou, ela não reconheceu mais a própria identidade.
No trabalho de resgate, começamos identificando as qualidades que não mudaram, que continuaram fazendo parte da vida dela. E a partir daí, ela estabeleceu novos vínculos, em novos grupos de interesse.
“Nenhuma pessoa é uma ilha, completa em si mesmo; toda pessoa é um pedaço do continente, uma parte do todo.”
John Donne
A partir do entendimento de quem somos e de quem mais está ao nosso redor, podemos começar a refletir sobre quais crenças fazem parte de um determinado grupo de pessoas: profissional, família, religioso ou social.
Quais capacidades são enaltecidas e quais são criticadas?
Qual é o sistema de valores desse grupo e o quanto tudo isso influencia no seu comportamento?
Esse é de fato você, é como você quer ser? Ou você está se anulando para encaixar-se nesse contexto?
À medida que vamos crescendo na vida, muita coisa é ensinada para nós. Aprendemos com os outros o que é certo ou errado, bom ou ruim, bonito ou feio e muito mais. Tudo isso começa a fazer parte de quem somos. Mas o mundo vai mudando e nós mudamos com ele.