O passado que influencia
No último texto eu mencionei três parâmetros que norteiam um processo de decisão para que você viva com mais intenção. São eles: missão e propósito de vida, seus valores pessoais e as áreas da vida importantes para você. Eles se combinam e justificam as escolhas que você faz, os caminhos que quer seguir.
Mas, além desses três, tem mais um parâmetro que interfere na sua vida e que acaba influenciando as suas ações e o seu destino. Ele tem a ver com o passado, diz respeito à sua história, seus traumas, sofrimentos e ao significado que você deu para as coisas que aconteceram.
Qual é a emoção predominante que está te influenciando?
Tudo isso pode ser resumido a essa pergunta. Vamos analisar aqui algumas possibilidades para respondê-la.
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TRAUMA DE RELACIONAMENTO
Imagine uma pessoa que sofreu uma decepção muito grande com alguém do seu passado e criou mágoa e ressentimento a partir disso. E vamos imaginar que esse evento a marcou muito e que ela não conseguiu lidar com ele, sofreu demais e se sentiu impossibilitada de reagir, reparar, resolver ou aceitar.
Quando surge, na vida dela, uma nova possibilidade de se relacionar, ela não está totalmente aberta para isso, pois traz consigo essa dor. Se esse novo relacionamento tiver algum traço que lembre o anterior, já fica na defensiva, imaginando consciente ou inconscientemente que o mesmo evento acontecerá de novo. O ressentimento a dominou e alterou a maneira de ela agir.
Aprender a separar as coisas, a deixar o passado para trás e a ver o novo com novos olhos pode ser um grande desafio.
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COMPETIÇÃO
Imagine que durante toda a infância uma pessoa foi sempre comparada aos outros e incentivada a ganhar e a ser a melhor. Eventualmente, ela criou o pensamento inconsciente de que as outras pessoas são suas adversárias e, a partir daí, a vida se tornou uma eterna competição. Algumas pessoas estendem essa competição para o ambiente familiar, para os amigos e até mesmo para o cônjuge; podem transformar a vida delas e a das pessoas ao redor em um verdadeiro inferno. São aquelas pessoas que querem sempre ter razão e dar a última palavra.
A nossa vida em sociedade exige paciência, tolerância, aceitação do outro com seus erros e acertos, compaixão e muita, muita cooperação. Do que o mundo mais precisa, hoje em dia, é de cooperação para tudo. Os maiores desafios da sociedade atual (guerra, fome, doenças, catástrofes e violência) seriam resolvidos facilmente com cooperação, e não com competição.
A pessoa que quer competir não aprecia a jornada, o momento presente, as interações. Ela só quer saber do resultado final, da vitória, do prêmio. É uma armadilha em que ela mesma cai, uma vez que a felicidade pelo prêmio alcançado dura pouco. Logo ela se vê vazia, buscando uma nova forma de satisfazer a necessidade de ser melhor do que alguém.
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MEDO E PREOCUPAÇÃO
Imagine uma pessoa que viveu uma vida de agressões, seja por ter sofrido bullying, preconceito, seja por ter tido pais agressivos ou por alguma situação social. Ela formou sua identidade baseada no medo e na preocupação com o que pode acontecer de pior. E, agora, passa boa parte do tempo buscando segurança, consciente ou inconscientemente. Ela acredita que o mundo é violento e que ela pode a qualquer momento ser atingida. Para que consiga relaxar, precisa de um ambiente totalmente controlado e se torna, então, uma pessoa controladora.
Parte da espontaneidade foi perdida.
Uma das grandes belezas da nossa vida é o instante. Ela é feita de momentos.
Se estamos muito focados no futuro, ao que pode acontecer, perdemos a atenção consciente a esse instante. É como se deixássemos o dia passar sem se dar conta. Quando vemos, já foi, já é hora de dormir e no dia seguinte o ciclo se repete.
Pare, respire por um momento e observe o que tem ao seu redor agora.
Sinta a sua respiração e o seu corpo, imagine que você quer capturar, eternizar esse momento.
Por mais que se controle, programe ou que se tente influenciar as pessoas e as coisas para que sejam de um determinado jeito, nós sabemos que a vida é surpreendente e se desenrola de formas inusitadas.
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FALTA DE ATENÇÃO E AMOR
Imagine uma pessoa que viveu muita falta de carinho, atenção e amor. Desde pequena, era deixada de lado pelos pais, que preferiam ver a criança na frente de uma tela. Para compensar a ausência, compravam coisas. A criança esteve sempre ganhando um brinquedo ou o que queria, desde que a entretesse e não desse trabalho. Tinha sempre alguém prezando por ela, mas raramente era o pai ou a mãe.
Essa pessoa aprendeu que ela não é a prioridade, que ela não é importante. Talvez tenha sentido rejeição, ou abandono, ou simplesmente solidão.
Como será que essa pessoa está na fase adulta?
Será que é uma pessoa carente e que se satisfaz por um momento comprando alguma coisa?
Será que aprendeu a fazer tudo sozinha e tem dificuldade para pedir ajuda?
Ou, talvez, seja alguém que compreendeu as limitações dos seus pais e com isso é uma pessoa muito amorosa, que tem bastante empatia pelos outros.
Qual será a crença inconsciente que essa pessoa carrega e que molda as suas relações afetivas?
É bem provável que tenha a autoestima baixa, não se sinta digna de receber amor, pense que não merece atenção. É bem possível que seja uma pessoa que anseia por uma migalha de consideração da parte de alguém. Tomar consciência disso é só o primeiro passo para a mudança.
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RUPTURA
Imagine uma pessoa que viveu uma ruptura, um encerramento abrupto de uma situação. Pode ser uma tragédia, a morte ou a perda de alguém ou de algo: pessoas da família, uma casa, ou foi expulsa de um país. Talvez tenha vivido em tempos de guerra.
A vida em um momento estava de um jeito e de repente tudo mudou. A vida passou a ser outra e, agora, ela precisa lidar com as perdas.
É muito difícil aceitar o que aconteceu e seguir em frente, mas o tempo não para. Assim, a pessoa vai simplesmente vivendo um dia após o outro, carregando uma dor. Aos poucos ela se acostuma com essa dor ou encontra um pensamento que a conforte, um significado para os eventos.
A reação pode ser diferente e a dor diminuir se ela encontrar novas alegrias na vida os poucos, mas aquela marca do passado sempre estará nela.
Infelizmente, temos muitas histórias assim e encontramos pessoas que souberam lidar bem e outras que não conseguiram. Por isso, existe um grande trabalho a ser feito, que solicita um olhar para esses eventos e o encontro com a paz interior em relação a eles para que ela possa sentir-se livre, continuar a viver e ser feliz.
Volto à pergunta inicial: como os eventos do passado influenciam as emoções atuais e determinam as escolhas e decisões que norteiam a vida de alguém?
Todos esses eventos do passado criam condicionamentos e fazem com que a pessoa viva respondendo de maneira a repeti-los. Não há uma percepção clara da situação. Os fatos ficam distorcidos de certa forma e a pessoa não consegue ser livre para decidir e escolher o que realmente quer para si em qualquer momento.
Aceitar e acolher o passado como ele foi é importante, mas também é fundamental reprogramar as marcas inconscientes deixadas por ele, que criaram separação e afastamento. A pessoa fica egoísta, extremamente voltada para o Eu. Se esquece de que, como seres humanos, fazemos parte de uma sociedade, uma unidade, que para dar certo precisa levar em consideração o outro.
Se você olhar agora à sua volta, dificilmente encontrará algum objeto que só você colocou a mão, que ninguém antes de você tenha feito absolutamente nada para que esse objeto existisse. Praticamente tudo ao redor foi produzido ou teve a colaboração de alguém para que você pudesse ter acesso.
Ou aprendemos a funcionar de maneira coletiva e colaborativa, ou criamos muros e separações que multiplicam as mazelas da nossa sociedade atual para os nossos descendentes.
Reflita: a partir de qual dor você se move?
Perceba o quanto isso era inconsciente até agora.
Em 20 anos de atendimentos, eu tenho ajudado muito as pessoas a terem clareza sobre a maneira de pensar, sentir e agir e a encontrarem formas de reprogramar. A Programação Neurolinguística é a metodologia que eu utilizo para trazer soluções.
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